
O Que de Fato é Energia Positiva e Negativa?
A natureza se revela como um vasto oceano, onde interações complexas e intrincadas se desenrolam em uma dança contínua de vida e movimento. Nela, padrões surpreendentes emergem, conectando fenômenos aparentemente distintos em diferentes escalas. Um exemplo particularmente fascinante é a comparação entre o comportamento das partículas subatômicas e o movimento de criaturas unicelulares em busca de recursos.
Esses organismos microscópicos exploram seu ambiente em busca de nutrientes e condições ideais para sobreviver e prosperar. Seu movimento é impulsionado por reações químicas e sinais ambientais, refletindo uma necessidade intrínseca de adaptação e sobrevivência. Assim como os elétrons buscam estados de menor energia, esses seres vivos se movem para otimizar suas condições de vida.
Essa interconexão entre o mundo quântico e o universo microbiano não apenas ilustra a beleza intrínseca da natureza, mas também nos convida a refletir sobre as leis universais que governam a vida em todas as suas formas, certo? Mas, afinal, o que todo esse papo tem haver com a ideia de um “movimento positivo” e “negativo”?
Vamos esclarecer, de uma vez por todas, todas as dúvidas relacionadas a esse assunto e promover um entendimento espiritual mais profundo sobre esses termos. Queremos nos distanciar das questões problemáticas que discutimos na postagem anterior desta série, onde buscamos desconstruir as raízes enganosas desse debate, para então, revelarmos a verdade kósmogica desse tema, neste post.
Antes de chegarmos a esse ponto, como é habitual, precisamos mergulhar profundamente no universo e compreender seu comportamento, a fim de absorver seus ensinamentos valiosos. Por tanto, seria prudente se preparar psicologicamente para um show de ciências e matérias interdisciplinares que vem a seguir. Ao fim de toda a leitura, todas as peças se encaixaram e será revelado a você os segredos relacionado a esse tema, mantenha o foco e preste atenção nas nuances desse poderoso conhecimento.

Uma lei universal a ser explorada
No vasto universo, existe uma regra fundamental que permeia tudo o que conhecemos: o princípio da neutralidade. Essa ideia se manifesta em diversas escalas, desde o microcosmo das partículas subatômicas até as vastas galáxias que povoam o cosmos. A lógica que rege essas interações é complexa e muitas vezes desafiadora de se explicar em poucas palavras, mas os cientistas a reconhecem sob a bandeira da “entropia”.
Para simplificar, podemos pensar na “entropia” como a tendência natural dos sistemas a evoluírem em direção ao equilíbrio. Em essência, ela descreve como a energia se dispersa e se distribui pelo universo, buscando um estado de máxima uniformidade e mínima energia livre. Essa busca incessante por equilíbrio é um princípio básico da natureza e está presente em todos os aspectos da realidade. Antes de nos aprofundarmos nas complexidades desse conceito, é útil começar a ilustrar essa ideia com um fenômeno cotidiano: o movimento de convecção em líquidos, como a água.
Quando aquecemos água em uma panela, as moléculas na parte inferior, expostas à fonte de calor, começam a se mover mais rapidamente devido ao aumento de energia térmica (guarde essa informação: quanto mais energia em um sistema, mais agitado e caótico ele fica). Esse movimento gera uma diminuição da densidade nessa região, fazendo com que as moléculas mais quentes subam em direção à superfície, enquanto as mais frias descem para ocupar seu lugar.

Esse fenômeno ocorre em absolutamente tudo o que flúi, como as massas de ar que vemos na previsão do tempo. Uma “massa de ar quente” sempre irá subir (por ser mais leve) e uma “massa de ar frio” (mais pesada) vai ocupar o seu lugar, até ser aquecida e o ciclo se manter.

Adendo importante: Isso também ocorre por outra característica universal (que vamos explorar mais em uma outra postagem sobre os movimentos do universo), mas de uma forma resumida: entende-se que quanto mais energia, mais algo se torna “livre” e “leve”, como água gerando vapor e, quanto menos energia, mais as moléculas se tornam “presas” e “densas”, como gelo, certo?
Esse ciclo contínuo cria correntes dentro do fluido que ajudam a distribuir o calor (energia) de maneira uniforme. O processo de convecção ilustra perfeitamente o princípio da entropia em ação: a energia térmica é transferida e dispersa, resultando em um sistema mais equilibrado.
Ao expandirmos essa compreensão para escalas maiores e mais complexas, percebemos que esse mesmo princípio se aplica ao comportamento de todo o universo, desde a luz até às dinâmicas distantes das estrelas em outras galáxias. Em cada uma dessas situações, o universo busca constantemente um estado de equilíbrio, onde a energia é distribuída de forma mais uniforme, certo?
A difusão dentro de um sistema
Para ilustrar melhor esse fenômeno, considere em sua mente uma simples xícara de café. Quando adicionamos leite, observamos que ambos os líquidos começam a se misturar rapidamente. No entanto, se os dois estiverem em temperaturas diferentes — por exemplo, se o café estiver quente e o leite frio — a entropia desempenha um papel crucial nesse processo. A entropia é responsável por promover a troca de energia térmica entre as duas substâncias até que alcancem uma temperatura média e equilibrada, tornando a mistura morna.
Assim que misturamos o leite no café, os líquidos começam a interagir. As moléculas do café quente transferem parte de sua energia térmica para as moléculas de leite mais frio. Esse processo continua até que ambos os líquidos atinjam uma temperatura semelhante, resultando em um novo sistema equilibrado. Uma vez que essa mistura ocorre, é praticamente impossível separar o café do leite novamente; eles se tornam inseparáveis em sua nova forma.

Esse exemplo não apenas ilustra o conceito de difusão e entropia em ação, mas também destaca o princípio da irreversibilidade na natureza. O equilíbrio entre os dois líquidos é uma representação clara de como sistemas energéticos tendem a buscar uma uniformidade e estabilidade.
No mundo natural, quando um poluente é introduzido em um ecossistema aquático, ele se dispersa rapidamente pela água até atingir uma concentração equilibrada. Assim como no caso do café e do leite, essa mistura resulta em uma nova condição que não pode ser facilmente revertida. Portanto, ao refletirmos sobre esses processos de difusão e equilíbrio energético, percebemos que eles são fundamentais para entender não apenas as interações nos sistemas físicos e químicos, mas também as dinâmicas mais amplas da vida e da natureza ao nosso redor. A busca incessante por equilíbrio está presente em todos os níveis da existência, moldando continuamente nosso mundo.
Perceba que até o momento, não houve nenhuma menção a algo externo, uma força, ou uma influência ditando esses fenômenos, tudo isso é apenas o universo sendo o que ele é, fazendo o que ele faz. São os movimentos naturais de sua existência, não há universo sem equilíbrio e entropia, assim como não há nenhum valor sentimental humano atribuído a essas coisas, elas apenas são como são, perder ou ganhar energia não são associados ao “bem” e ao “mal”, são apenas movimentos realizados pelos sistemas. Agora, com todas essas bases estabelecidas, é hora de abordar o que de fato são o “positivo” e o “negativo”.
Aqui há um ponto crucial, entenda que uma “lei universal” dentro da Kósmogia refere-se a algo inerente ao universo, assim como a sua personalidade faz parte e torna você quem é, certo? É apenas um comportamento repetido de forma natural, devido à própria construção que você (e o universo) tiveram ao longo do tempo e espaço.
Caso você, caro estudante de Kósmogia, não tenha conseguido ler a desconstrução dos termos “positivo” e “negativo”, é de suma importância para a assimilação desse conteúdo que você tenha tido contado com as postagens anteriores dessa série. Deixaremos o link de acesso a lista de leitura em sequência aqui embaixo:
Voltando ao nosso eixo de estudo, podemos observar que, assim como os fluidos se movem de áreas quentes para frias, as cargas elétricas também buscam um estado de equilíbrio. Quando há uma diferença significativa entre a quantidade de carga “positiva” e “negativa” em uma determinada região, isso resulta em um “desequilíbrio” elétrico. Podemos imaginar esse cenário como uma balança: um lado está mais pesado do que o outro, indicando um acúmulo de cargas que cria uma tensão elétrica.
Esse desequilíbrio elétrico é semelhante ao conceito de pressão em um fluido. Assim como a pressão faz com que o fluido flua da região de maior pressão para a de menor pressão, as cargas elétricas se movem da área onde estão mais concentradas — ou seja, onde há um excesso de carga — para a área onde estão menos concentradas, buscando restaurar o equilíbrio, certo?
Esse movimento das cargas gera um fluxo elétrico, conhecido como corrente elétrica. Quando as cargas se deslocam, elas transferem energia, e esse processo pode ser visualizado como um ciclo entrópico. Nesse ciclo, a energia é redistribuída até que uma situação de equilíbrio seja alcançada, onde a densidade de carga se torna uniforme.
Pense nisso como uma pessoa que tenha muito dinheiro enquanto você, caro leitor, é um coitado desafortunado. Caso esse milionário seja alguém muito bondoso de coração — em uma situação totalmente hipotética — ele vai te transferir a fortuna dele até que os dois tenham a mesma quantidade de dinheiro e atinjam a equidade. — um minuto de pausa para eu rir dessa analogia, obrigado — caso esse benfeitor fosse uma região com grande acúmulo de carga e você, pobre coitado, fosse uma região em defasagem, a transferência de dinheiro de um para outro, seria a corrente elétrica.
Um exemplo prático disso é o funcionamento dos circuitos elétricos. Quando uma bateria é conectada a um circuito, ela estabelece uma diferença de potencial entre os terminais positivo e negativo. No entanto, as nomenclaturas utilizadas podem ser enganosas, pois atribuem os termos “positivo” e “negativo” a funções opostas de maneira contraintuitiva. Essa inversão de conceitos pode dificultar a compreensão do funcionamento real dos circuitos elétricos e levar a mal-entendidos sobre como a corrente elétrica realmente flui. Portanto, embora esse tema esteja profundamente relacionado ao que discutimos ao longo deste texto, optamos por deixá-lo de lado para evitar complicações desnecessárias.
Esse conceito de equilíbrio é fundamental não apenas na elétrica, mas também em muitos outros contextos da física e da química. A busca incessante por equilíbrio — seja em sistemas térmicos, químicos ou elétricos — reflete uma tendência natural dos sistemas físicos em minimizar seu estado energético e alcançar equidade.
Prometo que em breve, tudo isso se encaixará na sua mente, revelando um sentido profundo para a jornada que estamos empreendendo. Mas antes… Vamos atravessar as barreiras da biologia?
A competição por recursos e os primeiros instintos dos seres
Nesse ambiente dinâmico, padrões surpreendentes emergem, conectando fenômenos que, à primeira vista, podem parecer distintos e desconexos. Um exemplo particularmente poderoso é a comparação entre o comportamento das partículas subatômicas e o movimento de organismos unicelulares em busca de recursos vitais.
A consciência, tanto nas espécies vivas quanto nas não-vivas, emergiu de formas primitivas de competição por recursos, evoluindo gradualmente até se manifestar em funções cognitivas complexas. Ao examinarmos os primórdios da vida, no entanto, é fascinante perceber que esses seres rudimentares operam segundo regras fundamentais de sobrevivência: permanecer mais tempo em ambientes confortáveis e evitar aqueles que ofereciam riscos ou desconforto.
Nos primórdios da evolução, a vida era marcada por uma luta incessante pela sobrevivência. Organismos unicelulares, como as bactérias e as amebas, desenvolviam estratégias básicas para maximizar suas chances de sobrevivência. Essas estratégias eram guiadas por reações químicas e estímulos ambientais que ditavam seu comportamento. Por exemplo, um organismo poderia se mover em direção a fontes de nutrientes ou fugir de substâncias tóxicas. Esse comportamento simples, porém eficaz, reflete uma forma primitiva de consciência — uma capacidade inata de responder ao ambiente de maneira que favoreça a sobrevivência.

Conforme a vida evoluiu e se diversificou, essas respostas instintivas deram origem a sistemas mais complexos de interação e adaptação. A evolução trouxe consigo não apenas a complexidade estrutural dos organismos, mas também a capacidade de processar informações e tomar decisões com base em experiências passadas. Assim, o que começou como uma simples regra de sobrevivência — ficar onde é confortável e evitar o desconforto — se transformou em um sofisticado conjunto de habilidades cognitivas que nos permite avaliar riscos, aprender com o passado e planejar o futuro.
Você quer saber a relação de tudo isso com o desenvolvimento de nossos dons e mediunidade? Dê uma olhada depois nessa recomendação de publicação aqui do site:
No mundo quântico, o movimento das partículas é influenciado pela atração e repulsão entre cargas opostas: os prótons, que possuem carga positiva, atraem os elétrons, que têm carga negativa. Essa interação é semelhante ao comportamento do calor em fluidos, que já falamos no início do texto. Da mesma forma, as criaturas unicelulares são atraídas para áreas onde há abundância de nutrientes, seguindo um princípio similar de busca por recursos.
Nas reações químicas, a transferência de elétrons entre átomos promove um estado mais equilibrado. Isso é comparável ao modo como organismos unicelulares estabelecem interações benéficas entre si para otimizar sua busca por alimento e abrigo. Em ambos os casos, a busca por equilíbrio e recursos essenciais é o que guia o movimento e as interações.
O fluxo da eletricidade se assemelha ao movimento adaptativo dessas criaturas, que respondem às concentrações de nutrientes disponíveis. Tanto partículas subatômicas quanto organismos buscam estados de menor energia e maior estabilidade, refletindo a maneira como interagem com o ambiente. Essa simbiose destaca a interconexão entre fenômenos físicos e biológicos, revelando uma dança harmoniosa de energia e vida na busca incessante pelo equilíbrio.
Assim como os elétrons buscam estados de menor energia para alcançar estabilidade, esses seres vivos se movem estrategicamente para otimizar suas condições de vida, perceba que aqui há uma relação muito interessante entre o equilíbrio e a entropia. Essa interconexão entre o mundo quântico e o universo microbiano não apenas ilustra a beleza intrínseca da natureza, mas também nos convida a refletir sobre as leis universais que governam a vida em todas as suas formas. Essa relação nos leva a considerar como a evolução das formas de vida está intimamente ligada às interações no nível quântico. As mesmas forças que moldam as partículas que compõem nosso universo são as responsáveis pela complexidade dos sistemas biológicos, como micróbios ou, eu e você.
A relação do fluxo entrópico e do equilíbrio com o entendimento de “positivo” e “negativo”
Tudo que discutimos até aqui gira em torno do fluxo gerado entre dois pontos. Esse fluxo não deve ser visto como uma “força” isolada, mas sim como um ponto de partida da criação e do próprio funcionamento e da origem desse e outros universos. Imagine que o cosmos é como um tabuleiro de xadrez, onde cada peça se dispõe de maneira a buscar um estado de equilíbrio. Agora, considere que essa disposição das peças pode ter seguido uma infinidade de caminhos antes de alcançar o equilíbrio desejado. As peças poderiam ter se movido para cima, para baixo, para os lados, ou até mesmo “teletransportadas” instantaneamente de um lugar a outro, sem seguir uma direção definida até encontrarem sua posição final.
Essas múltiplas “possibilidades” de caminhos estavam todas presentes em um único momento. Repare, em uma outra analogia, é como se você pegasse uma caneta e colocasse sua ponta sobre o papel: naquele instante, todas as palavras conhecidas, desconhecidas e até alienígenas poderiam ser escritas, nada foi definido, tudo pode surgir daquele pequeno ponto. Porém, somente quando você faz uma escolha consciente é que uma única palavra é realmente escrita, você decidiu o que escrever dentre tantas possibilidades.
No nosso tabuleiro imaginário, esse processo é semelhante. Há tantas possibilidades de movimento acontecendo simultaneamente que o caos persiste até que uma decisão seja tomada. Nesse momento decisivo, uma peça se move da esquerda para a direita, encerrando o potencial caótico e estabelecendo um novo estado de equilíbrio.
E assim, chegamos à noção do “movimento positivo”, que representa um potencial criativo ilimitado, um ponto fora do espaço-tempo onde todas as possibilidades coexistem. Nesse estado, nada foi realmente definido ou articulado; trata-se de um verdadeiro brainstorm infinito, onde ideias e possibilidades borbulham incessantemente, prontas para serem exploradas.
O movimento positivo pode ser entendido como algo além do caos primordial, ja que ele mesmo personifica em si esse conceito (e mais tarde fragmenta essa ideia para um dos quatro movimentos principais), é a fonte de onde tudo emerge. É nesse além-caos que reside a essência do que é, do que foi e do que um dia será. As peças desse tabuleiro metafórico representam não apenas as ideias em si, mas também os caminhos que elas podem seguir e o contexto – o tabuleiro e a própria mesa – em que essas interações ocorrem. Cada possibilidade é uma peça em movimento, navegando por um mar de incertezas, onde todas podem ser tomadas ao mesmo tempo, simultaneamente, em universos diferentes.
É fascinante pensar que tudo isso se origina de uma simples possibilidade: um momento, uma flutuação potencial no absoluto que surgiu do próprio absoluto. Essa ideia nos convida a refletir sobre a natureza da criação e da realidade. O movimento positivo simboliza a capacidade de transformar o indeterminado em algo concreto, de estar dentro e fora ao mesmo tempo, de dar forma ao caos através de interações cósmicas dele com ele mesmo.
Um movimento onde as coisas são energizadas, como uma mangueira jorrando energia incansavelmente, uma fonte infinita de poder, assim como o sol cujo a função é brilhar, emitir quantidades massivas de energia e criar matéria fundindo seus componentes. Assim como, os exemplos que trouxemos, onde particulas e cargas de maior energia se agitam e começam a fluir, o “positivo” se torna o motor e o berço do universo.

Nesse sentido, o “movimento positivo” não é apenas um estado de potencial; é uma dinâmica que impulsiona a evolução das ideias e das realidades, ele reune em si as propriedades dos demais quatro movimentos que ordenaram o universo (já que ele é tudo o que existe e irá existir, incluindo toda a energia, leis, interações e movimentos desse e outros universos). É a centelha criativa que nos move a explorar novas fronteiras e a moldar o mundo ao nosso redor. Ao abraçar esse caos primordial, somos convidados a participar ativamente da dança cósmica da criação, onde cada escolha e cada movimento têm o poder de influenciar o desdobramento das possibilidades infinitas que se apresentam diante de nós.
Mas, distante do entendimento de um “deus primordial” que criou tudo, o ponto positivo não é uma consciência, ele apenas é o que é e o que não foi. Ele não precisa de cultos ou oferendas, ele é apenas um ponto infinito de tudo o que ele pode chegar a ser, inclusive o universo, que ai sim, se desdobra em várias e várias consciências menores de si mesmo.
Em contrapartida, o “movimento negativo” representa uma força que, embora pareça oposta à criação, não deve ser confundida com a simples destruição (que por sua vez, falaremos em um texto especial psra o movimento ígneo). Este movimento é o destino inevitável de todas as coisas, a direção para onde tudo decai e envelhece. É a seta do tempo, marcada pela evolução e pela transição. Quando algo é destruído, sua essência ainda persiste em um estado potencial; portanto, continua a ser parte do movimento positivo e do ciclo. No entanto, ao atravessar o “ponto negativo”, algo se torna irreversível: a informação do que aquilo foi se dissipa, sendo assimilada e absorvida de forma definitiva, para, mais tarde retornar ao ponto positivo.
Enquanto o positivo pode ser visualizado como uma bola lançada ao céu ou o ápice de uma onda, o negativo se revela como a queda e o vale da mesma simultaneamente. É nesse espaço de transição que se desvela a dualidade intrínseca entre potencial e vazio, um diálogo eterno que permeia a existência.

O movimento negativo não é meramente uma aniquilação, mas sim um processo profundo de absorção total da energia que já circulou pelo cosmos, semelhante à luz que é tragada por um buraco negro e nunca mais pode escapar, ou, daquela velha xícara de café, agora misturada com leite. Ao considerarmos essa analogia colossal, vemos que, após cruzar o horizonte de eventos do buraco negro, nada pode voltar a não ser, em um novo universo, dando origem a dança infinita de múltiplos cósmos.
Da mesma forma, podemos associar o “positivo” a um buraco branco. Esse termo é uma solução teórica das equações da relatividade geral de Einstein, que é o oposto de um buraco negro. Enquanto um buraco negro atrai matéria e luz para dentro de sua singularidade, um buraco branco é uma região do espaço que expeliu matéria e não permite que nada entre. Em outras palavras, ele “joga” para fora tudo o que foi absorvido anteriormente. Veja, aqui estamos falando abertamente de atrair (movimento negativo) e repelir (movimento positivo) onde não há nada além envolvido no processo do que as próprias características do universo, como discutimos anteriormente.
A relação entre buracos brancos e o Big Bang é especialmente interessante. O Big Bang representa a origem do nosso universo, onde toda a matéria e energia estavam concentradas em um ponto extremamente denso e quente. Alguns teóricos propõem que o Big Bang pode ser visto como um tipo de buraco branco, onde a expansão do universo e a criação de matéria se assemelham ao funcionamento de um buraco branco, certo?
Não imagine o big bang como uma explosão, mas sim como uma flutuação que deu origem a tudo o que existe e conhecemos hoje, toda essa movimentação é semelhante as partículas virtuais do vácuo quântico. Onde particulas emergem de um campo, beiram a realidade, mas logo decaem novamente e esvanecem, retornando ao campo que a gerou.

O “movimento negativo”, portanto, representa a devolução das informações ao vasto campo cósmico que deu origem a tudo. Essa devolução não deve ser vista como um ato de destruição; é, antes, uma reintegração ao tecido da realidade. Assim como as estrelas que explodem em supernovas enriquecem o cosmos com novos elementos e possibilidades, o movimento negativo nos ensina que cada fim é também um novo começo em potencial. Neste contexto, todas as peças se encaixam: o movimento de equilíbrio do universo e a entropia formam um fluxo contínuo entre o ponto A (positivo) e o ponto B (negativo). Assim como vimos as cargas elétricas interagirem em nosso discurso anterior.
É fundamental esclarecer que o termo “negativo” não deve ser confundido com vícios energéticos. Vícios, nesse contexto, referem-se a padrões de energia que as pessoas percebem como uma “aura antinatural” em indivíduos ou objetos. Essa percepção geralmente surge como resultado de um desequilíbrio entre os movimentos que permeiam a existência. Enquanto os vícios energéticos podem criar uma sensação de desconexão ou desarmonia, é importante entender que o “negativo” em si não é a origem desse desequilíbrio. Essa relação entre merece uma atenção cuidadosa. Em breve, iremos nos aprofundar nessa questão em uma postagem futura, onde exploraremos como esses elementos interagem e influenciam nossa energia vital. Por agora, mantenha em mente que o “negativo” não deve ser encarado como um vilão na narrativa do nosso bem-estar; ao contrário, ele pode servir como um convite à reflexão e à transformação pessoal.
Imagine, então, aquela água em um recipiente. Lembra do que aconteceu quando aquecemos ela? Ela recebeu energia do ponto A (positivo) e esse fluxo de calor aumentou a agitação nas moléculas o que a fez ficar mais leve. Este movimento ascendente não é apenas um fenômeno físico; é uma representação do potencial criativo que surge quando a energia é incorporada. Nesse estado excitado, a água se transforma, passa de uma condição tranquila a um estado fervilhante, simbolizando o florescer de novas possibilidades.
À medida que essa água fervente começa a esfriar, ela perde energia, deslocando-se gradualmente em direção ao ponto B (negativo). Esse processo de resfriamento não deve ser visto como um retrocesso ou uma diminuição; pelo contrário, é um momento de transição essencial. As moléculas que antes estavam em frenesi começam a se organizar novamente, formando ligações mais estáveis e criando um estado de equilíbrio. Esse retorno ao estado mais calmo é igualmente vital — representa o descanso que precede o renascimento.
Assim, esse exemplo ilustra perfeitamente o fluxo contínuo entre os estados de ser: a ascensão e o declínio energético. Cada fase é necessária; cada uma traz seu próprio valor e significado. Nesse ciclo interminável, a água não apenas muda de temperatura; ela nos ensina sobre os altos e baixos da existência, sobre como cada momento de excitação e cada fase de calma são interdependentes. A vida se desenrola nesse fluxo natural, onde o movimento para cima é seguido por um retorno ao equilíbrio, e onde cada perda de energia traz consigo o potencial para novas criações.
Portanto, ao observar esse simples fenômeno, somos lembrados da beleza intrínseca dos ciclos naturais que permeiam nossa própria existência — uma sinfonia eterna entre receber e devolver energia, entre criar e reintegrar ao cosmos. Essa compreensão nos encoraja a abraçar tanto os momentos de fervor quanto os períodos de serenidade como partes essenciais de nossa jornada.
O fluxo entrópico do universo se assemelha à criação de partículas: elas emergem de um campo primal, flutuam entre suas possibilidades e eventualmente decaem novamente para o campo que as originou. Nós, seres vivos, somos constituídos de átomos que, ao final de nossa jornada terrena, serão devolvidos ao meio do qual foram extraídos, respeitando assim o ciclo infinito de vida (positivo) e morte (negativo).
Há um paralelo filosófico profundo nesse entendimento. Muitas tradições acreditam na reencarnação da alma humana; da mesma forma, podemos imaginar que todo o universo eventualmente decairá para esse ponto negativo, onde sua informação será assimilada. E quem sabe então? Um novo universo poderá emergir das cinzas do antigo — repleto de novas possibilidades — reiniciando assim o ciclo em uma nova forma.
Diferente das interpretações sociais frequentemente atribuídas a esses termos, agora percebemos que “positivo” e “negativo” não são energias opostas em conflito; são a fonte natural que deu origem a esse e outros universos, seguindo seu fluxo intrínseco — como as marés que vão e vêm em seu próprio ritmo ou como o tempo que é regido pela entropia de sistemas. São partes um do outro, faces da mesma moeda, abrigando em si as caracteristicas dos demais movimentos que surgiram a partir dessa fonte primal. Essa compreensão nos convida a olhar além das dualidades simplistas e abraçar a complexidade da existência, onde cada elemento desempenha seu papel fundamental na dança cósmica da vida e da morte.

Série: Energias e Movimentos


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