
Desconstruído o Conceito de Bem e Mal
A noção de energia “positiva” e “negativa” na espiritualidade é um tema fascinante que permeia diversas tradições filosóficas e religiosas, revelando uma compreensão complexa da natureza humana e de suas interações com o mundo. Essa dualidade energética descreve estados emocionais, mentais e espirituais, indicando que nossas intenções, pensamentos e ações influenciam não apenas a nós mesmos, mas também o ambiente ao nosso redor.
Segundo essas tradições a energia “positiva” é associada a sentimentos de amor, compaixão, gratidão e alegria, funcionando como uma força que eleva e conecta indivíduos, promovendo harmonia e bem-estar. Em contraste, a energia “negativa” está vinculada a emoções como raiva, medo, inveja e tristeza, criando divisões e conflitos que geram desarmonia interna e externa.
Essa dicotomia nos convida a refletir sobre como nossas escolhas moldam nossa realidade. Muitas crenças espirituais enfatizam a importância da autoconsciência e do autoconhecimento como ferramentas para transformar energias negativas em positivas. Descrevendo que ao cultivar práticas como meditação, gratidão ou perdão, podemos alterar nossa frequência vibracional e impactar positivamente nossas vidas e as dos outros.
Além disso, segundo essa noção de energia, ela se entrelaça com conceitos de vibração e ressonância, onde cada ser humano emite frequências únicas. As interações entre essas frequências podem criar sinergias ou dissonâncias em nossos relacionamentos e na sociedade. Assim, seria possível que ao nos tornarmos mais conscientes de nossa própria emanação, temos a oportunidade de transformar nossa experiência pessoal e contribuir para uma mudança coletiva, longe da influência do que é maligno.
Essa polaridade também se relaciona com o entendimento dual do masculino e feminino que, segundo algumas filosofias, não se referem apenas a características físicas, mas também a traços psicológicos, emocionais e espirituais que moldam nossas interações.

O Feminino e Masculino como Energia
O positivo é frequentemente associado ao masculino, enquanto o negativo é vinculado ao feminino. No entanto, descrevem essa associação e dizem que deve ser encarada como uma representação simbólica de energias que coexistem em todos nós, independentemente do gênero. O masculino está muitas vezes relacionado à ação, lógica, força e assertividade, enquanto o feminino se conecta à intuição, receptividade, empatia e criatividade.
Essa visão, que se diz “moderna”, sugere que um homem pode ser forte e assertivo em certas situações, mas também demonstrar vulnerabilidade e empatia em outras. Da mesma forma, uma mulher pode exibir características de liderança e lógica, ao mesmo tempo em que nutre sua sensibilidade e intuição, mas não antes de ser julgada socialmente por não ser “viril” ou “feminina” demais. Tais comparações frequentemente alimentam discursos misóginos e machistas, reduzindo o papel dos gêneros na sociedade, especialmente em um tempo em que ideias conservadoras ganharam número e força na internet. A noção dualista é uma simplificação que perpetua estereótipos prejudiciais e alimenta uma hipocrisia cultural enraizada. Essa visão binária ignora a complexidade da experiência humana e reforça normas sociais opressivas que limitam tanto homens quanto mulheres.
Mesmo que essas tradições busquem se manter neutras dentro de sua percepção de género, não há de fato uma inclusão ou reconhecimento de que mulheres com “energia masculina” devam ser respeitadas e aceitas, muito pelo contrário, cada dia mais vemos vídeos e mais conteúdos dizendo absurdos e ensinando homens a “aumentar sua energia masculina” ou, no recente exemplo citado por Mark Zuckerberg que diz que falta “energia masculina” nas empresas, veja mais a fundo essa notícia aqui:
Essa categorização sugere que características como força, lógica e assertividade são intrinsecamente masculinas, enquanto vulnerabilidade, empatia e intuição são vistas como femininas. Esse tipo de pensamento marginaliza traços igualmente valiosos em ambos os gêneros e desumaniza aqueles que não se encaixam nessa moldura estreita. Homens que expressam emoções ou mulheres que adotam papéis de liderança são rotulados como “anormais” ou “desviantes”, perpetuando um ciclo de repressão emocional e social.
A conexão entre a figura masculina e a ideia de heroísmo adquire uma dimensão ainda mais grotesca quando exploramos suas raízes culturais e simbólicas. Essa associação, que liga o homem à imagem do herói, é frequentemente fundamentada em uma interpretação literal do formato de seu falo, que se transforma na metáfora da “espada” ou da “ferramenta” que ele empunha. O pênis masculino é, assim, elevado a um símbolo de retidão, representando o que é reto e justo, como a luz que ilumina a escuridão e a justiça que estabelece ordem, a “verdade” que “penetra” sobre o mal.
Em contrapartida, as mulheres são frequentemente percebidas através de uma lente de sinuosidade e curvatura, refletindo não apenas as formas de seus corpos e genitálias, mas também uma narrativa cultural que as associa a serpentes e trevas. Essas representações insidiosas sugerem uma natureza errática e indireta, perpetuando estereótipos que desvalorizam a feminilidade e a reduzem a uma caricatura de mistério e engano. Essa dualidade entre o masculino e o feminino não apenas revela as dinâmicas de poder enraizadas na sociedade, mas também desafia as noções simplistas de heroísmo e moralidade que moldam nossas percepções sobre gênero.

A ideia de que o masculino é sempre positivo e o feminino negativo contribui para um ciclo vicioso de culpa e vergonha. As mulheres são ensinadas a se sentirem culpadas por sua assertividade ou ambição, enquanto os homens enfrentam a pressão de suprimir sua vulnerabilidade por medo de serem vistos como fracos. Isso cria uma cultura onde ninguém é verdadeiramente livre para ser quem é; todos ficam presos em caixas construídas por normas sociais antiquadas que perpetuam-se até os dias atuais.
Essa perspectiva dualista transcorre uma narrativa de competição e inimizade entre as pessoas, ao invés de promover colaboração e compreensão mútua. Em vez de unirem forças para desafiar estruturas sociais opressivas, homens e mulheres acabam se vendo como adversários em um jogo distorcido por expectativas irreais que comprometem discursos sérios em busca da igualdade (isso ao menos para aqueles capazes de competir em igualdade, se incluirmos pessoas LGBTQIAP+, negras e indígenas, o buraco social se torna bem mais profundo e sinistro).

A Associação do Feminino com o Negativo
A associação das mulheres ao negativo, à tentação e ao pecado é uma construção histórica e cultural que se estende por milênios, permeando mitologias, religiões, literatura e ciências sociais. Essa visão distorcida não apenas marginaliza a experiência feminina, mas também tem profundas consequências na maneira como a sociedade percebe e trata as mulheres.
Desde a antiguidade, figuras femininas são frequentemente retratadas como sedutoras ou causadoras de infortúnios. Na mitologia cristã, por exemplo, Eva é vista como responsável pela queda do homem, associada ao pecado original. Essa narrativa pouco inocente, transcende a simples história ou a bolha de sua própria religião; ela se transforma em um estigma que continua a moldar a percepção da mulher na sociedade contemporânea. A ideia de que o feminino leva o homem à perdição perpetua um ciclo de culpabilização que justifica comportamentos agressivos e violentos, desviando a culpa dos atos grotescos dos homens para as próprias vítimas.

No contexto religioso, muitas tradições ocidentais reforçam essa visão negativa. A demonização da sexualidade feminina tem raízes profundas em doutrinas que consideram o desejo sexual pecaminoso. As mulheres são frequentemente vistas como responsáveis por incitar desejos nos homens, levando-os à tentação. Essa narrativa não apenas reduz as mulheres a objetos de desejo, mas também as responsabiliza por ações que deveriam ser punidas nos homens.
Mulheres que buscam poder ou autonomia são rotuladas como ambiciosas ou manipuladoras. O estigma em torno do poder feminino cria um ambiente onde elas precisam navegar cuidadosamente entre serem vistas como fortes ou serem rejeitadas por essa força. Essa hipocrisia se torna ainda mais evidente quando características semelhantes em homens são elogiadas como sinais de liderança.
Na literatura e na cultura popular, essa representação se manifesta de várias formas. Personagens femininas são frequentemente construídas como vilãs ou figuras trágicas cuja queda está ligada à sua natureza intrínseca, com tudo se resolvendo quando um homem aparece para tomar conta da situação. Você, caro leitor, deve ter pensado em várias dessas narrativas nesse momento, poupando-nos o trabalho de ter que citá-las, certo?
Diante desse panorama sombrio, é crucial desmantelar essas narrativas prejudiciais e promover uma nova compreensão da experiência feminina. As mulheres devem ser vistas não como portadoras do negativo ou da tentação, mas como seres humanos complexos com suas próprias histórias, desejos e capacidades. É fundamental desafiar essas construções sociais e culturais para criar um espaço onde todos possam expressar sua totalidade — sem medo de serem rotulados ou culpabilizados.


A Narrativa Dual que Definiu a Sociedade
A narrativa de “bem contra o mal” está profundamente enraizada na cultura humana, moldando sociedades, religiões e sistemas de crenças ao longo da história. Essa dualidade transcende a mera moralidade; é um fenômeno social que influencia comportamentos, políticas e até mesmo a forma como nos relacionamos. A ideia de que existe um “mal” a ser combatido mobilizou impérios, justificou guerras e promoveu a exclusão de grupos considerados indesejáveis ou ameaçadores.
Um aspecto intrigante dessa dualidade é como ela tem sido utilizada para legitimar ações muitas vezes brutais e opressivas. Ao rotular uma parte da sociedade como “maléfica”, instituições podem justificar perseguições, censuras e até genocídios sob o pretexto de purificação social. A Inquisição exemplifica esse extremo: a busca pela erradicação da heresia resultou em torturas e execuções em massa. O que estava em jogo era mais do que uma luta por poder religioso; tratava-se de um esforço coletivo para moldar uma sociedade conforme ideais de pureza e moralidade.

No entanto, essa busca pelo “bem” frequentemente ignora as complexidades humanas. Narrativas reducionistas não conseguem captar a essência de todos os seres viventes, levando à aniquilação dos considerados “outros”. Essa exclusão se manifesta em preconceitos, estigmas e discriminações que permeiam diversas esferas da vida social. Minorias religiosas ou étnicas, por exemplo, são frequentemente rotuladas como portadoras do “mal”, resultando em violência e marginalização.
A crítica ao padrão de beleza imposto pela sociedade é fundamental para entender como essa norma distorce a percepção de moralidade e valor humano. A beleza, frequentemente associada a características físicas específicas, se torna uma medida de bondade e pureza, criando um círculo vicioso onde o que é considerado “belo” é automaticamente visto como “bom”. Essa associação superficial leva a uma série de consequências devastadoras, tanto para indivíduos quanto para grupos que não se encaixam nesse molde.
As pessoas que se afastam do padrão de beleza dominante frequentemente enfrentam estigmas e julgamentos severos. Essas pessoas não apenas se tornam desvalorizadas, mas também rotuladas como malignas ou imorais, perpetuando a ideia de que a aparência externa reflete a essência moral interna. Em uma sociedade onde indivíduos são avaliados mais pela sua conformidade estética do que por suas ações ou caráter, a violência se torna a resposta do grupo dominante contra as minorias. A ideia de que a beleza é sinônimo de bondade cria um ambiente onde ações imorais podem ser toleradas ou ignoradas se praticadas por aqueles considerados belos, enquanto pessoas não conformes são julgadas com rigor desproporcional.
A necessidade de categorizar experiências e pessoas como boas ou más traz uma sensação de segurança para muitos, mas também cria um terreno fértil para o medo e a paranoia. O conceito de “estranho” — aquele que não se encaixa nas normas estabelecidas — torna-se um alvo fácil para a projeção das inseguranças sociais. Isso pode alimentar movimentos populistas que exploram essas divisões, intensificando ressentimentos e polarizações.
A mídia desempenha um papel crucial na perpetuação dessa narrativa. Histórias de heroísmo são frequentemente contadas em oposição ao vilão (que por muito tempo foi retratado com traços pertencentes a minorias), reforçando a ideia de que o mundo é dividido entre forças opostas. Essa simplificação não apenas obscurece questões complexas, mas também desvia a atenção das nuances necessárias para entender problemas sociais profundos. Quando as questões são reduzidas a uma batalha entre o bem e o mal, as soluções tornam-se limitadas e as vozes das pessoas afetadas são silenciadas.
Para enfrentar realmente as implicações sociais dessa dualidade, precisamos adotar uma abordagem mais holística. Isso envolve reconhecer que bem e mal não são absolutos; eles existem em um espectro onde ações humanas podem ter consequências variadas dependendo do contexto. Promover diálogos inclusivos que considerem múltiplas perspectivas é essencial para desconstruir estigmas e preconceitos.

A Exclusão da Negatividade e o Nazismo Espiritual:
A ideia de um “nazismo espiritual” evoca conceitos de exclusão e purificação que, historicamente, resultaram em consequências desastrosas para indivíduos e comunidades. Quando essa mentalidade invade esferas espirituais ou sociais, cria um ambiente onde a empatia e a compreensão são substituídas por julgamentos e discriminação.
A busca por uma “pureza espiritual” frequentemente se manifesta em ideais de comportamento, emoções e estilos de vida considerados “elevados” ou “puros”. Essa perspectiva ignora a complexidade da experiência humana e promove uma visão dualista do mundo, rotulando pessoas como “boas” ou “más”, “positivas” ou “negativas”.
A paranóia social gerada pela narrativa dualista tem um impacto profundo e devastador, especialmente sobre indivíduos introvertidos, que se sentem mais à vontade em ambientes calmos e introspectivos. Em uma sociedade que valoriza extroversão, exposição e sociabilidade como indicadores de “bondade” ou “pureza espiritual”, essas pessoas podem ser vistas como estranhas ou ameaçadoras. Essa percepção distorcida leva a julgamentos precipitados, onde sua natureza contemplativa é erroneamente interpretada como falta de entusiasmo ou má vontade.
Essa dinâmica é exacerbada pela cultura das redes sociais, onde as interações costumam ser superficiais e focadas nas aparências. A incessante busca por validação através da projeção de vidas perfeitas cria um ambiente que desvaloriza expressões de vulnerabilidade ou tristeza, rotulando rapidamente aqueles que compartilham suas lutas internas como portadores de negatividade. Isso sem sequer mencionar o grande desafio corporativo que essas pessoas enfrentam ao procurarem trabalhos estáveis. Em um mundo onde a extroversão é hipervalorizada, o julgamento “energético” ou da “vibe” de um introvertido pode dificultar as chances de conseguir uma vaga.
Essa paranóia social pode criar um ambiente tóxico em que as pessoas sentem a necessidade de esconder suas verdadeiras emoções para evitar julgamentos. A pressão para se conformar a padrões irreais de felicidade pode resultar em ansiedade e depressão, especialmente para aqueles que já enfrentam batalhas internas. A ideia de uma “pureza espiritual” idealizada torna-se um fardo, levando à autoavaliação crítica e ao sentimento de inadequação.
O impacto desse fenômeno não é apenas individual; ele reverbera em comunidades inteiras. Grupos que adotam essa visão dualista tendem a marginalizar aqueles que não se encaixam nos moldes estabelecidos, criando divisões profundas. A sensação de pertencimento é minada quando os indivíduos sentem que precisam justificar constantemente sua validade como seres humanos.
Essa divisão pode levar à formação de grupos que se consideram superiores aos outros, criando uma cultura de elitismo espiritual. A crença de que algumas pessoas possuem uma energia mais elevada ou vibrações mais positivas resulta em ciclos de exclusão, onde o “julgamento energético” reflete frequentemente padrões estéticos. Se tornando ainda pior quando uma promessa de “reino dos céus” entra em jogo, um lugar onde apenas os “puros” e “justos” podem desfrutar após a morte enquanto os “ímpios” são arrastados, torturados e queimados no fogo do inferno.
Essa dinâmica é semelhante à maneira como ideologias extremistas desumanizam certos grupos, criando um ambiente propício ao preconceito e à intolerância. Quando essa mentalidade permeia relações interpessoais, o impacto pode ser devastador; laços familiares e amizades podem ser desfeitos com base em julgamentos superficiais sobre a “energia” ou a “pureza espiritual” de alguém. Isso gera um clima de medo e ansiedade, onde as pessoas sentem que precisam se conformar a moldes irreais para serem aceitas — ainda mais evidente em várias religiões, onde até mesmo a forma de se vestir deve seguir os ditames da fé.

A violência religiosa e as ideologias de “pureza” promovidas por regimes como o nazismo estão interligadas por uma lógica de exclusão e desumanização que busca justificar a opressão de grupos considerados “impuros” ou “inferiores”. A violência religiosa, muitas vezes, surge da crença de que uma fé ou doutrina específica é a única verdadeira, levando a conflitos entre diferentes grupos. Essa intolerância pode manifestar-se em perseguições, discriminações e até genocídios, onde a fé do “outro” é vista como uma ameaça à própria existência do grupo dominante.
Em comparação, o regime nazista fundamentou sua ideologia em conceitos de “pureza racial”, promovendo a ideia de que a raça ariana era superior e deveria ser preservada a todo custo. Essa busca pela pureza levou à desumanização de judeus, ciganos, homossexuais e outras minorias, que eram vistos como contaminações dessa “raça pura”. O resultado foi um dos períodos mais sombrios da história, marcado pelo Holocausto e pela morte de milhões.
Ambas as formas de violência compartilham uma narrativa que se baseia na construção de um inimigo externo, como discorremos ao longo de todo esse texto. No caso da violência religiosa, esse inimigo é frequentemente um grupo diferente em termos de crenças espirituais; no caso do nazismo, o inimigo era definido racialmente. Essa lógica não apenas justifica atos brutais contra aqueles que são considerados diferentes, mas também cria um ambiente onde o medo e a desconfiança se perpetuam.
Além disso, tanto a violência religiosa quanto as ideologias de pureza são alimentadas por uma retórica que busca reforçar a superioridade do grupo dominante. A ideia de que se está lutando por uma causa maior — seja ela divina ou racial — pode servir para legitimar ações violentas e extremistas. A desumanização dos “outros” é um componente crucial nesse processo, permitindo que indivíduos ou grupos cometam atrocidades sem remorso.
Assustador, correto? Então por qual exato motivo ainda existem pessoas julgando os outros e associando-as a essa “força inimiga” invisível que destoa da “moral”, “busca pela purificação” e do “positivismo”?
Problematizando a Visão Dualista:
A associação entre energia positiva e estados emocionais elevados, como amor, compaixão e empatia, suscita questões complexas que merecem uma análise crítica. Embora esses sentimentos possam trazer benefícios tanto para o indivíduo quanto para a coletividade, a crença de que a energia positiva sempre resulta em harmonia nas relações interpessoais pode ser simplista e problemática.
É fundamental considerar a pressão social gerada pela incessante busca por essa “energia”. Isso pode levar à negação ou repressão de emoções “negativas”, como tristeza, raiva ou frustração. Essa repressão gera um fenômeno chamado “toxicidade positiva”, onde as pessoas sentem-se obrigadas a minimizar suas experiências emocionais autênticas em nome de uma fachada de bem-estar. Tal comportamento não só prejudica o autoconhecimento e a aceitação, mas também cria um ambiente social superficial, onde problemas reais são ignorados.
Outro aspecto relevante é a culpabilização do indivíduo pela presença de energias negativas ao seu redor. Se acreditamos que a energia positiva deve ser cultivada para promover harmonia social, isso implica que aqueles que enfrentam dificuldades emocionais são responsáveis por sua própria condição. Essa perspectiva pode resultar em estigmatização e marginalização de quem lida com problemas emocionais ou sociais mais complexos. A pressão para “elevar a vibração” pode fazer com que essas pessoas se sintam inadequadas por não conseguirem atender a tais expectativas, tornando sua questão ainda mais grave.
Por outro lado, considerar a energia negativa apenas como força disruptiva que gera conflitos e doenças emocionais apresenta problemáticas que devem ser exploradas. Embora sentimentos como raiva e ciúmes possam ter implicações prejudiciais nas relações interpessoais, rotulá-los como “tóxicos” e sugerir sua repressão pode ser reducionista. Deslegitimar emoções negativas ignora sua importância na condição humana.
Por exemplo, a raiva pode ser uma resposta natural à injustiça ou opressão e servir como catalisador para mudanças radicais necessárias na sociedade. Em vez de serem vistas apenas como destrutivas, essas emoções podem motivar ações contra desigualdades ou ajudar na definição de limites saudáveis nas relações. Portanto, suprimir esses sentimentos pode perpetuar problemas sociais e pessoais.

O Julgamento Humano Sobre o Bem e o Mal
A complexidade do julgamento humano, especialmente quando baseado exclusivamente em perspectivas pessoais, revela um panorama multifacetado que se assemelha ao funcionamento da política contemporânea. Cada indivíduo, moldado por suas experiências, valores e contextos sociais, tende a avaliar ações, comportamentos e até mesmo ideologias a partir de um prisma que privilegia o que considera benéfico ou maléfico para si mesmo. Essa subjetividade pode levar a uma série de consequências, onde a mesma ação pode ser lida como “positiva” ou “negativa” para diferentes indivíduos.
No cerne dessa dinâmica está a noção de que o ser humano é um ser que busca constantemente o seu próprio bem-estar. No entanto, essa busca muitas vezes ignora ou desconsidera o impacto das decisões individuais sobre os outros. Assim como na política, onde interesses pessoais e coletivos frequentemente colidem, os julgamentos humanos podem se tornar uma arena de conflito. O que é visto como benéfico para uma pessoa ou grupo pode ser percebido como prejudicial para outro, criando divisões e polarizações.
Esse fenômeno é amplificado pela maneira como as informações são filtradas e interpretadas. Em um mundo saturado de dados e narrativas diversas, as pessoas tendem a buscar informações que confirmem suas crenças pré-existentes — um fenômeno conhecido como viés de confirmação. Isso não apenas reforça pontos de vista já estabelecidos, mas também pode levar à demonização do “outro”, ou seja, daqueles que não compartilham das mesmas opiniões ou valores ou que, em julgamento, consideram “negativos”.

Na política, essa dinâmica se traduz em discursos polarizadores e na formação de bolhas sociais onde as vozes discordantes são silenciadas. As decisões políticas frequentemente refletem os interesses de grupos específicos em detrimento do bem comum, perpetuando desigualdades e injustiças. A luta pelo poder muitas vezes se transforma em uma batalha entre visões de mundo conflitantes, onde a moralidade é manipulada para justificar ações que servem aos interesses pessoais ou partidários.
Além disso, essa perspectiva limitada pode resultar em uma falta de empatia e compreensão mútua entre indivíduos e grupos. Quando os julgamentos são feitos com base apenas no que é percebido como benéfico e positivo para si mesmo, o diálogo construtivo se torna quase impossível.
Essa relatividade desafia a ideia da percepção humana sobre o padrão universal do que de fato é a “energia negativa”. Esperamos que você tenha notado que até agora nos concentramos na dimensão das emoções humanas sem explorar a visão Kósmogica que buscamos desenvolver aqui no nosso site. Mas com um tema tão absurdamente complexo como esse, era necessário primeiro desconstruir o viés antes de abordar algo novo. Nos próximos posts, vamos nos aprofundar na verdade que permeia tudo isso.
Enquanto isso, para um melhor entendimento sobre o conceito de “energia”, sugerimos que leia a postagem anterior desta série clicando no botão abaixo:
Nos vemos na próxima publicação que revelará “A Verdadeira Natureza do movimento Positivo e Negativo”
Série: Energias e Movimentos


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