
O que é Energia?
A compreensão da energia é um tema central em diversas tradições espirituais e esotéricas que permeiam a história da humanidade. Muitas vezes, essa energia é apresentada como uma força mística, acessível apenas àqueles que possuem um conhecimento especial. Embora frequentemente retratada como a “essência dos seres vivos” — um mana, um qi, um sopro de vida — paradoxalmente, pouco se sabe sobre a sua verdadeira natureza.
Com o passar do tempo, esse conceito profundo e multifacetado foi, em muitos aspectos, banalizado. Hoje, palavras como “energia” são frequentemente utilizadas de maneira superficial em conversas cotidianas, reduzindo sua complexidade a meras expressões de simpatia ou desagrado. É comum ouvirmos expressões como “esse lugar tem uma energia ruim” ou “você irradia uma energia maravilhosa”. Mas a que se refere essa “energia”? Ela realmente existe da forma que a descrevemos e ilustramos? Qual é a sua origem? Quais são suas características e variações? Quais forças regem suas interações? E, mais importante, ela pode se tornar nociva? Todas essas questões serão respondidas na nossa nova série de publicações, onde exploramos esse conceito através da ótica da Kósmogia, sendo esse, o primeiro conhecimento adicionado a ela.
Essas perguntas nos convidam a explorar mais profundamente o que fenómeno que descrevemos como “energia”, instigando uma reflexão sobre como ela influencia nossas vidas e ambientes. Ao desvendar esses mistérios e resgatar o significado original, podemos não apenas ampliar nosso entendimento sobre o mundo espiritual, mas também ter ferramentas para melhorar nosso cotidiano imediato.
Quando questionados sobre “o que é” esse conceito, muitos entram em argumentos redundantes, explicando a energia dentro de sua própria definição. Frases como “a energia é tudo o que existe” não só falham em esclarecer, mas também perpetuam uma confusão que desvirtua a riqueza de seu aprendizado. Essa circularidade no raciocínio revela uma falta de profundidade na compreensão, muitas vezes resultante da banalização do tema ao longo do tempo.
Essa abordagem superficial ignora as nuances e as diferentes interpretações que esse fenômeno pode ter em contextos variados. Por exemplo, na física, a energia é uma quantificação mensurável — como a energia cinética ou potencial — que pode ser calculada e aplicada em experiências concretas. Entretanto, quando se fala de energia em termos espirituais e esotéricos, o significado se torna muito mais subjetivo e pessoal. A confusão entre esses dois âmbitos pode levar a mal-entendidos e generalizações errôneas muito difíceis de serem combatidas.
Outro exemplo é o uso desse termo nas terapias alternativas, onde práticas como reiki ou acupuntura se baseiam na premissa de que a manipulação da energia vital pode promover cura e equilíbrio. No entanto, muitas vezes essas práticas são apresentadas sem o devido rigor científico ou filosófico, levando à desvalorização do seu potencial transformador. Quando alguém diz: “Você precisa alinhar suas energias”, pode estar se referindo a uma complexa interação entre emoções, ambiente e saúde mental, mas a frase acaba se tornando um clichê vazio que não captura a profundidade da experiência humana.
Além disso, esse reducionismo também se reflete no uso cotidiano da palavra “energia”. Expressões como “energia positiva” ou “energia negativa” são frequentemente empregadas para descrever estados emocionais ou ambientes sem uma análise crítica das forças subjacentes que realmente moldam essas experiências. Isso reduz questões profundas sobre sentimentos e relações humanas a meras etiquetas simplistas, muito semelhante ao processo já mencionado em uma outra publicação (click aqui para mais informações sobre esse paradigma).

Bom, vamos então falar o que de fato é energia?
A etimologia da palavra “energia” deriva do grego “energeia“, que significa “atividade” ou “ação”. O termo foi popularizado pelo filósofo Aristóteles, que o usou para descrever o estado de ser em ação, em oposição ao estado de potencialidade (onde nenhuma atitude ou direção foi tomada). A partir dessa origem, a palavra evoluiu para se referir à capacidade de realizar trabalho ou provocar mudanças, uma característica fundamental que a permanece até hoje.
Antes do surgimento de qualquer universo, há algo que emerge das flutuações de possibilidades do “absoluto”. Um emaranhado vibracional que ecoa em várias dimensões distintas e colapsa sobre si mesmo (assim como as ondas — campo de possibilidades — se tornam particulas — valor definido no tempo e espaço que teve seu valor observado), definindo-se em uma “quantidade” padrão ao interagir com os “movimentos” que organizaram o cósmos.
Todo esse sistema pode ser percebido como uma grande “matriz”, onde os valores são definidos pelo número de “dimensões” que esse pulso ecoou. Que vamos explorar mais a frente.
Uma série de “ecos” e “vibrações” sendo processadas, organizadas e convertidas geram a realidade como a conhecemos atualmente. Mas, nada disso seria possivel, sem entender que toda essa energia sendo indexada é, na verdade, um fluxo de dados, por tanto: uma corrente de informação. Ao analisarmos essa questão sob a ótica da kósmogia, podemos perceber que, longe de ser meramente um conceito esotérico, a energia é uma forma fundamental de comunicação que permeia o universo. Funcionando do mesmo jeito, tanto em escalas físicas quanto astrais.
Para que você entenda:
Pense em uma rede de luzes de Natal (pisca-pisca) e perceba que: quando elas recebem um estímulo elétrico, acendem-se emitindo luz, certo? Isso só acontece graças à fiação que as conecta, permitindo que a eletricidade passe e “informe” a cada lâmpada quando deve piscar e quando deve apagar. Por tanto, o fluxo elétrico (energia) desempenhou o papel de “comunicar” todo o sistema como deve se comportar.
Agora, imagine essa rede ligada por fios se estendendo por todo o universo, enviando informações para cada partícula cósmica, que se comporta de uma forma semelhante a dos pisca-pisca. Dessa forma, a realidade não é apenas uma sequência de eventos materiais, mas sim, uma trama vibracional complexa onde cada brilho representa uma possibilidade manifestada e definida pela “comunicação” enviada através da energia.

A partir dessa perspectiva, podemos perceber que toda essa rede interconectada, na verdade está trasnferindo informação — desde as partículas subatômicas até as galáxias — o que torna tudo um grande “fluxo” em movimento. Sendo essa “energia” resultante do transporte de dados inerentes ao universo que dita cada microsegundo do que as particulas devem, ou não, fazer. Nesse sentido, essa “condução” se torna um agente ativo na criação e manutenção da realidade.
É através das interações energéticas que as formas se manifestam e evoluem. Por exemplo, a energia solar não apenas alimenta as plantas através da fotossíntese, mas também influencia os padrões climáticos e os ciclos ecológicos da Terra. Cada interação tem o potencial de desencadear uma série de eventos que moldam o nosso mundo.
Tudo bem, se energia é um fluxo de dados, então o que é “informação”?
A palavra “informação” vem do latim “informare“, que significa “dar forma a”, “modelar” ou “moldar”. O termo se refere ao ato de fornecer dados ou conhecimento que ajudam a estruturar a compreensão de algo. Assim, a informação é vista como uma forma de moldar nossa percepção da realidade, influenciando nossas decisões e ações. Consegue então perceber os paralelos se formando?
Os fluxos contidos na energia também se manifestam nas propriedades quânticas dos átomos. A maneira como partículas como elétrons ocupam estados energéticos específicos é uma representação direta da informação que determina suas características. Essa relação entre energia e comunicação é fundamental para entender fenômenos complexos como superposição e entrelaçamento quântico. Mas todo esse papo está muito científico, certo?
Vamos trazer esse papo para o recorte perceptível aos humanos da realidade?
O cérebro humano é uma intrincada rede de neurônios que se comunicam entre si por meio de sinapses, onde a informação é transmitida através de sinais elétricos e químicos (energia). Assim como as luzes de Natal do exemplo anterior, que acendem em uma sequência, os neurônios também dependem de um padrão coordenado de ativação para gerar pensamentos, emoções e ações.

Quando um neurônio é estimulado, ele gera um impulso elétrico chamado “potencial de ação”. Esse impulso viaja ao longo do axônio do neurônio até chegar à sinapse, onde a informação é convertida em sinais químicos (neurotransmissores) que atravessam o espaço sináptico para se ligar a receptores em outros neurônios. Se continuarmos comparando o cérebro aos pisca-pisca, percebemos que cada lâmpada/neurónio acesa dependesse da comunicação eficiente entre os “fios” (canais) que os conecta.
Podemos imaginar que cada luz representa um pensamento ou memória. Para que uma sequência luminosa seja ativada, cada lâmpada precisa receber o sinal adequado; da mesma forma, nossos pensamentos precisam ser acionados por uma rede neural eficaz. Se uma conexão falha ou é ineficiente, a sequência não será completada — assim como algumas luzes podem não acender se houver um problema na fiação.
Além disso, assim como as luzes podem piscar ou mudar de cor dependendo do tipo de sinal elétrico recebido, nossos pensamentos e emoções também podem variar em intensidade e qualidade dependendo da natureza da comunicação entre os neurônios. Emoções fortes podem ativar redes neuronais específicas que geram respostas mais intensas.
E aqui encontramos um paralelo interessante, idependente da escala (micro ou macro) a energia funciona da mesma forma, não é incomum então, chegarmos a conclusão que a informação em realidade é o “pensamento” do universo.
Essa percepção provoca reflexões profundas sobre a natureza da realidade e a interconexão entre todos os elementos do cosmos. As partículas subatômicas e suas interações podem ser descritas em termos de informações que estão em constante troca, como vimos anteriormente. Essa abordagem sugere que o universo opera através de um vasto sistema de informações interconectadas, onde cada evento ou interação pode ser vista como energia.
A analogia entre informação e pensamento também se debruça em questões intrigantes sobre a consciência. Se o universo possui uma forma de “pensar” por meio desses fluxos, isso nos leva a refletir sobre o papel da consciência humana dentro desse contexto maior. A capacidade humana de processar informações e formular pensamentos pode ser interpretada como uma extensão desse “pensamento universal”.
Nesse sentido, somos tanto participantes quanto observadores desse grande fluxo informacional, o que nos convida a reconsiderar nossa posição no cosmos. A teoria da informação contemporânea sustenta que tudo isso não é meramente uma descrição matemática do mundo; ela é uma entidade física real. Essa concepção implica que as interações e processos naturais podem ser entendidos em termos de manipulação e transformação de informações, que são idênticos a magia (confira as semelhanças clicando aqui)
Assim, ao explorarmos as leis da física e os fenômenos naturais, podemos também estar desvendando os mecanismos pelos quais o universo “pensa” e se organiza. A visão do universo como um sistema interconectado de informações sugere que tudo está relacionado.
A imagem abaixo é uma representação se todo o universo observável e suas redes cósmicas, observe por um momento e retorne as imagens anteriores e faça suas próprias comparações:

A similaridade nas estruturas dessas escalas serão exploradas em uma postagem dedicada exclusiva e especialmente a fractais e a geometria do universo em breve.
E sobre a energia como um “fluxo vital” atrelado a vida?
Os seres vivos funcionam como verdadeiras máquinas de reconhecimento e processamento de informações. Nossos sentidos — olfativo, visual, auditivo, táteis e gustativo — estão todos voltados para essa função primordial. Captamos, analisamos e convertemos os dados que recebemos do ambiente em experiências significativas. Da mesma forma, desenvolvemos habilidades específicas para interpretar as energias espirituais que nos cercam, permitindo-nos sintonizar com as sutilezas do ambiente e das relações enquanto nos guiamos em busca de evolução. Chamamos essas “percepções” apuradas de informação espiritual como “dons”. (Assunto que ja abordamos em publicação e você pode ver clicando aqui)
A capacidade de reter informações torna cada sistema mais denso e impulsiona a vida, ao ponto de que competir por mais energia se torna a base da sobrevivência. À medida que absorvemos e assimilamos mais informações, nossa complexidade enquanto espécie adaptada aumenta, refletindo um crescimento não apenas em conhecimento mas, também, físico atrelado a neuroplásticidade do cérebro.

Quando falamos sobre espiritualidade, muitas vezes estamos nos referindo a estados emocionais e reconhecimento de informação que transcendem a experiência física. Essa “energia” pode ser entendida como uma expressão das interações entre indivíduos e seu ambiente. Por exemplo, quando duas pessoas se encontram e compartilham experiências emocionais profundas, elas estão trocando dados que não apenas afetam suas percepções individuais, mas também criam um campo compartilhado de entendimento e conexão. Esse fenômeno pode ser observado em ambientes de alta carga energética, como cerimônias religiosas ou encontros comunitários, onde a sensação de unidade se torna palpável.
Quem nunca se perguntou como consegue saber exatamente, mesmo que sem observação direta, como o outro se sente? Pois, ai está a sua resposta. A ressonância entre essas frequências explica fenômenos como empatia e conexão emocional profunda. Mesmo a “intuição” pode ser vista como uma forma de acesso à dados não verbalizados ou não consciente.
Ao consagrar um objeto para uso ritualistico, estamos aplicando um fluxo de novas informações (energia) nele, que passa a desempenhar as características espirituais que configuramos. Perceba como a ideia de “energia” passou de “algo com pouca definição” para um conceito claro e acessível.
Ao desmistificarmos essa ideia como algo puramente místico e considerá-la como uma forma de informação dinâmica em interação constante com nosso ambiente, podemos fomentar um diálogo mais amplo entre ciência e espiritualidade. Essa abordagem integrada não só enriquece nossas práticas espirituais – tornando-as mais atuais – mas também nos convida a explorar as relações profundas que existem entre todos os seres no vasto tecido da realidade.
Em conclusão, ao explorarmos as intersecções entre energia, informação e espiritualidade, encontramos um campo rico para reflexão e entendimento. Essa nova perspectiva nos permite ver a magia não apenas como um aspecto isolado da experiência humana, mas como uma parte fundamental do universo. E essa é a beleza da visão kósmogica de tudo.
Série: Energia


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